Novembro 6, 2009
Estou a ler a biografia do papa João Paulo II. O autor é o jornalista Bernard Lecomte. Não raras vezes o escritor usa termos como “mergulhou” e “devorou” para se referir a livros que o religioso leu. Karol Wojtyla era, acima de tudo, um apaixonado.
Amou a religião e os estudos. Foi aos pontos mais altos que se pode chegar no mundo acadêmico. É de se encantar, sem dúvida. Mesmo oriundo de uma Polônia devastada pela guerra, tratou de se dedicar em tudo o que fazia. Desta forma, colocou o nome na história.
O caminho? Os livros, claro. Sempre eles…
Divido com você esse interessante trecho:
Num comovente artigo, o arcebispo Wojtyla explicaria um dia que “percorrer assim rios e trilhas pelas montanhas, a pé ou de esqui no inverno” é “um repouso necessário para as pessoas que fazem muito esforço intelectual”.
E segue o então futuro papa:
“Através dessa comunhão com a natureza, não só a sensibilidade humana adquire um sentido particular, à vista das florestas cobertas de neve sobre as montanhas, ou então as profundezas de um lago, como também adquirimos uma certa forma física que é a condição que facilita esse contato íntimo com o ‘seio’ da natureza”.
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Escrito por Khaled Salama
Novembro 2, 2009
Assisti a uns quatro filmes neste feriadão. Entre eles, estão “Júlio César” (1953, com Marlon Brando, adaptado de uma peça de Shakespeare) e “Quando Nietzsche chorou” (este mais recente, originado de um best-seller com mesmo nome).
Em primeiro lugar, quero destacar uma fala de Pórcia, no primeiro filme citado. Veja o que disse ela a Bruto, em meio a uma conspiração para matar Júlio César:
Este humor não deixou que comesse, que conversasse ou dormisse. E pode mudar tanto a sua forma e predominar sobre seu espírito que nem eu vou reconhecê-lo, Bruto. Caro esposo, faça-me conhecedora da causa desta aflição.
Por fim, divido uma fala de Nietzsche, no segundo longa:
Tento dizer em dez frases o que outros dizem no livro inteiro.
Não fiz comentários porque os trechos falam por si.
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Cultura |
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Escrito por Khaled Salama
Outubro 28, 2009
Dia desses, estava em Criciúma e fui até uma Lotérica. A moça reparou que eu carregava um livro e perguntou, com os olhos cheios de brilho, o que eu estava a ler. Respondi: “Às margens do Sena, de Reali Jr”. Diz ela: “Esse eu não li ainda. É bom?”.
O que está por trás desta conversa?
Ora, ela quis mostrar que também gosta de ler. Fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Por um lado, é muito bom encontrar alguém que tenha este hábito. Por outro, até quando isso vai continuar a ser algo tão raro, a ponto de gerar uma admiração especial?
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Escrito por Khaled Salama
Outubro 6, 2009
Ok, você está careca de ouvir que ler é importante. No entanto, não consegue criar o hábito de jeito nenhum. Bom, eu tenho uma modesta dica. Responda: qual é o assunto que você mais gosta? Depois, procure uma obra relacionada a isso.
Começar é realmente complicado. Porém, o desafio será menor se o tema é do seu agrado. Faça isso uma vez. Duas. Aos poucos, você não vai conseguir ficar um dia sequer sem ler, nem que seja pelo menos uma página. E eu garanto um resultado espetacular.
Como dizia Goethe: “Ler é a arte de desfazer nós cegos”.
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Escrito por Khaled Salama
Agosto 31, 2009

Uma história contada por um professor de Língua Inglesa quando eu era pequeno está impregnada na minha mente. Ele e a esposa visitaram uma escola dos Estados Unidos para falar sobre o Brasil. Eis que um dos alunos perguntou: “Vocês comem com garfos e facas?”.
Antes que um dos dois pudesse responder, a professora americana interrompeu e disparou: “Eles já são civilizados”. Quando ouvi isso, fiquei desesperado. Pensei: “Nossa, que imagem ruim temos diante dos americanos. Puxa, precisamos dar um jeito nisso”.
Hoje, tenho vergonha do pensamento que tive. É como se eu quisesse que os índios, por exemplo, não existissem para que nós pudéssemos nos enturmar com os americanos, que são os estudantes populares desta cruel escola chamada mundo. Quanta imaturidade!
O aluno que fez a pergunta, no começo dos anos 90, pensava que todos nós éramos índios. Se eu estivesse lá, responderia: “Nós comemos com garfos e facas. Porém, temos várias comunidades indígenas das quais nos orgulhamos muito. Eles comem diferente”.
Não existe cultura certa ou errada. Culturas são apenas diferentes. E precisamos respeitar. O que se vê, constantemente, é uma ridicularização de tudo o que possa fugir ao que a tela do cinema mostra. Estabeleceu-se um modo “correto” de viver e de pensar.
Ah, esse mundo de maquiagem, carros, cheques, bebidas… Os índios não precisam trabalhar 16 horas por dia para ter uma vida digna. Eles também não deixam o próximo morrer de fome. Portanto, nada como uma dose com gelo de mão na consciência.
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Escrito por Khaled Salama
Agosto 7, 2009
Um rapaz evangélico me perguntou ontem o que eu achava da Teoria da Evolução, de Darwin. Já assisti a inúmeras palestras sobre o assunto através do canal da Universidade da Califórnia no YouTube. Por isso, sei exatamente porque ele me fez esta pergunta.
É que muitos religiosos costumam dizer que Darwin, ao afirmar que as espécies “evoluíram” ao longo do tempo, nega a existência de Deus. Os vídeos a que pude assistir mostram que isso não é uma verdade tão consolidada. Uma coisa não exclui a outra.
Eu sou religioso. Tenho muita fé em Deus. Porém, ao mesmo tempo, eu saúdo o desenvolvimento da ciência. Os cientistas procuram entender, com dados concretos, como as coisas funcionam. Eles não se conformam com imposições da sociedade.
As “provas” apresentadas por estudiosos não desmentem, necessariamente, o que afirmam os livros sagrados. É possível, por exemplo, que tudo tenha sido escrito em metáforas. Isso para que o ser humano pudesse entender melhor, sozinho, o mundo em que vive.
Viu como podemos encontrar explicações confortantes? Os representantes de religião “demonizam” Darwin porque têm medo de perder fiéis. Trata-se de um absurdo sem tamanho.
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Absurdos, Cultura, Educação |
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Escrito por Khaled Salama
Agosto 3, 2009
Os professores do Curso de Comunicação Social da Unisul receberam um treinamento na semana passada. Um dos temas discutidos foi uma reportagem do Fantástico, da Rede Globo, sobre o mau uso da Língua Portuguesa nas escolas do Brasil.
Os alunos não eram os únicos a errar de maneira grave. A matéria apresentou exemplos de professores que cometeram equívocos incríveis. Eu acredito que essa é uma questão que vai além de ensinar e aprender. Tem a ver com a leitura.
Quem lê com frequência adquire um poder de interpretação maior, melhora o vocabulário e passa a escrever melhor.
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Julho 17, 2009
No segundo semestre letivo deste ano, começa uma nova fase na minha vida. Vou assumir a cadeira de Mídias Digitais do curso de Jornalismo da Unisul de Tubarão. Trata-se de uma grande responsabilidade. Vou dar o máximo de mim.
O meu desafio como professor universitário será manter, sempre, a minha motivação. Será transmitir para os meus alunos uma mensagem positiva. Será dizer para eles que a luta vale, sim, a pena.
Para descontrair: o melhor de tudo não é o fato de eu ter realizado um dos meus maiores sonhos. É que portarei, novamente, a carteirinha da maravilhosa biblioteca da universidade (risos). Que venham as aulas!
Muito obrigado pela audiência. Volte sempre!
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Escrito por Khaled Salama
Julho 16, 2009
Tarde chuvosa e fria. Camisa, blusa de lã e jaqueta de couro não davam conta de me aquecer. Parei, depois de muito tempo, para engraxar o sapato. Tchê Graxa é figura conhecida em Araranguá e em Balneário Arroio do Silva. Desses folclóricos.
Quando sentei na cadeira, disparou: “Vamos deixar bonitinho”. Estranhei a presença de outro engraxate no mesmo “ponto” em que ele sempre trabalhou. Contaminado pelo capitalismo feroz, não resisti e perguntei: “Tens um concorrente então?”.
Enquanto passava os produtos no meu sapato, Tchê Graxa respondeu, com o tom característico: “O sol nasceu pra todos”.
Nada como a simplicidade…
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Escrito por Khaled Salama
Junho 27, 2009
A mais recente disciplina da pós-graduação em Língua Inglesa que estou a fazer foi Crenças de Professores (Teachers’ Beliefs). Após dois finais de semana de muita análise, a turma chegou à seguinte conclusão: crenças são difíceis, quase impossíveis, de serem mudadas.
Por quê? Bom, é que elas são consequência de experiências anteriores, da criação e da cultura do professor. Há momentos, no entanto, que nossas ideias nos levam a maus resultados. Quando isso acontece, é preciso parar para reorganizar a mente.
Devemos evitar agir como o que alguns especialistas em mundo corporativo chamam de Gabrielão. Esta figura é aquela que não muda nunca. O nome se originou da novela Gabriela, cuja música dizia: “Eu nasci assim. Eu cresci assim. Vou morrer assim”.
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Escrito por Khaled Salama