Queimar a fonte

Outubro 25, 2009

Acabo de terminar de ler o livro Às margens do Sena, do correspondente da Rádio Jovem Pan em Paris, Reali Júnior. Eu recomendo. É excelente. Divido um trecho com você:

Veja, por exemplo, como se comportou a mídia no Brasil no caso da crise de corrupção do Partido dos Trabalhadores. Jornais, emissoras de rádio e televisão competiram para ver quem dava mais notícias, às vezes fornecendo informações de fontes sem provas sobre esse ou aquele caso de corrupção. Naquele contexto de acirradas disputas, muitos repórteres queimaram fontes pelo caminho, e não precisavam!

Muitas vezes, poderiam ter dado o mesmo tipo de informação e, ao mesmo tempo, ter preservado a fonte. E, repito, essa fonte, preciosa, poderia estar passando informações para o repórter até hoje, ajudando-o a chegar à informação verdadeira, muitas vezes escamoteada.

Concordo plenamente!


Crase: cinco minutos que irão mudar a sua vida

Setembro 25, 2009

Minha sexta-feira começou no bairro Cidade Alta, em Araranguá, onde precisava fazer umas fotos para um cliente. Saí da empresa na qual estava, parei para tomar um delicioso café e comecei a caminhar em direção ao Centro da cidade, que fica perto.

O dia amanheceu tão lindo, que cheguei a ficar anestesiado. Sol e temperatura amena. Que combinação divina! Esse período de alguns minutos permitiu que eu reorganizasse o pensamento e relaxasse para o longo dia de trabalho e de estudo que vinha pela frente.

De repente, uma preocupação. Passei por dois gigantescos outdoors com erros de crase. Então, fica a dica: se você é profissional da comunicação e, por incrível que pareça, não sabe usar a crase, pare! Pare agora mesmo tudo o que você está a fazer.

Dedique cinco minutos, não mais, a pesquisar na Internet sobre como fazer o emprego correto. Isso vai mudar a sua vida para sempre…


Bando de hipócritas

Setembro 21, 2009

A participação do apresentador André Marques no mais recente Domingão do Faustão, da Rede Globo, foi recheada de referências a sexo. Isso num domingo à tarde, quando a família inteira, inclusive as crianças, está reunida em frente à televisão, depois do almoço.

É muito revoltante! Depois dizem que a Classificação Indicativa do Ministério da Justiça pode ser comparada à censura da época da Ditadura… Como dizia PC Farias: “Bando de hipócritas!”.


O problema do Profissão Repórter

Setembro 16, 2009

Sinto que vou tocar na ferida de muitos colegas, mas preciso fazer um comentário sobre o Profissão Repórter, da Rede Globo. Ele vai ao ar nas noites de terça-feira e é comandado pelo excelente jornalista Caco Barcellos.  A questão é que considero o programa prejudicial.

O problema é que a atração contribui com a imagem de que jornalistas são super-homens. É como se toda notícia tivesse que ser feita de helicóptero ou sob alto risco. É preciso entender que as redações Brasil afora não têm, em geral, a mesma estrutura da Globo.

E aí, geralmente, surgem ignorantes que acham que nós deveríamos escalar um prédio para cobrir uma reunião de negócios ou até mesmo estar no local de um ACIDENTE antes mesmo de ele acontecer.

Essa visão restrita já existia antes mesmo do programa. Agora, então, acredito que a tendência é que ela fique ainda mais intensa.


A qualidade da faculdade

Setembro 10, 2009

O curso de Jornalismo da Unisul de Tubarão, pelo qual me formei e do qual sou professor, está entre os dez melhores do gênero no Sul do País. A coordenadora Darlete Cardoso, o Corpo Docente e os alunos estão de parabéns. É uma honra fazer parte desta equipe.

O ranking é do Portal Imprensa e a notícia pode ser vista neste link. Para avaliar os cursos, foram utilizados os seguintes critérios: titulação e experiência profissional dos professores, infraestrutura e experiência laboratorial, projeto pedagógico e presença no mercado.

A qualidade da academia é de extrema importância. Isso facilita o trabalho dos interessados. Porém, aproveito para lembrar: cada aluno faz a própria faculdade. Isso ocorre através do interesse pelo conteúdo repassado e pela leitura de materiais extras, entre outros.

Reclamar da universidade sem ter lido um livro sequer durante o curso é complicado. É preciso demonstrar vontade do começo ao fim.


Amor e Sexo

Agosto 30, 2009

A ideia do programa Amor e Sexo, apresentado por Fernanda Lima na Rede Globo, é boa. No entanto, a atração que estreou na última sexta-feira precisa de algumas melhorias. Uma delas é a expressão “minha gente”, repetida inúmeras vezes pela apresentadora.

Isso deu um certo ar de amadorismo. Outra questão importante: no telejornalismo, costuma-se dizer que o repórter deve preservar o sotaque quando está ao microfone. Concordo. Porém, acredito que isso não se aplica a um programa de variedades como esse.

O “gauchismo” de Fernanda Lima chegou a fazer meus ouvidos doerem. E olha que eu sou gaúcho! Trocar o “tu” por “você” já resolveria o problema. No mais, tende a dar certo…


O Jornalismo caiu?

Agosto 25, 2009

Quando soube que comecei a dar aula na Unisul, uma pessoa se virou para mim e perguntou: “Ué, mas o Jornalismo não caiu?”. Chocado com aquilo, respondi: “Não. O que caiu foi a exigência do diploma para exercer a profissão de jornalista”.

É claro que a intenção dela não foi perguntar exatamente isso. As palavras adequadas não foram encontradas. No entanto, elas ficaram na minha cabeça. Ao pensar melhor, cheguei à conclusão de que a minha resposta poderia ter sido diferente.

Eu diria que o objetivo do Supremo Tribunal Federal, talvez, fosse fazer, realmente, com que o Jornalismo caísse. Caísse de nível ao longo do tempo. Para manter o interesse de alguns setores…


O mau atendimento na era digital

Agosto 20, 2009

Que ótima ideia! O problema é que, se eu tivesse uma banda, faltaria tempo para tanta música.

Veja, no vídeo abaixo, a forma que este músico achou para expressar o sentimento de cliente frustrado.

O link foi repassado pela jornalista Ariela Martins, da Comunicação Interna da Restaura Jeans.


A guerra entre a Globo e a Record

Agosto 15, 2009

No auge da guerra entre as redes Globo e Record, é importante dizer que não há um lado certo e outro errado. As duas são concorrentes e é por isso que agem desta forma. Nenhuma das emissoras é totalmente inocente. E nem 100% culpada.

Sobre isso, quero destacar dois pontos. O primeiro é que se pode falar qualquer coisa sobre os evangélicos. Porém, não há como negar que ter uma religião muda, sim, a vida das pessoas para melhor. O mau uso do dinheiro do dízimo é outra questão.

Então, é preciso ter cautela na hora de chamá-los de manipulados.

O segundo é que a questão de a Globo ter uma concorrente com dinheiro é de extrema importância para a democracia. Uma diz o que a outra não diz. Uma fiscaliza a outra. Além disso, finalmente, o brasileiro tem outra opção. O SBT nunca teve consistência…

Texto atualizado às 18h49min do dia 15/08.


Uma mídia chamada revista

Agosto 11, 2009

Sou apaixonado por uma mídia chamada revista. A qualidade do papel, a diagramação. Tudo me encanta. Acredito, inclusive, que este é um veículo em potencial a ser adotado por empresas.

As matérias institucionais formam o “arroz com feijão”, mas é possível (e recomendável) incrementar o conteúdo com textos que vão além.

Um exemplo: se você tem uma empresa de desenvolvimento de sites, a sua publicação pode trazer notícias sobre entrega de projetos para clientes e novas tecnologias adotadas, entre outros. Porém, também pode abordar novas pragas virtuais, rede sociais, etc.

Decidi escrever sobre esse assunto porque li, enquanto fazia bicicleta na academia, a revista de uma marca de cosméticos. E o produto vem com inadequações importantes de serem avaliadas, discutidas e usadas como exemplo para nossas ações, como comunicadores.

Então, lá vai: matéria jornalística, mesmo que tenha sido produzida para um produto comercial, precisa ter fonte. Ou seja: o autor do texto precisa avisar para o leitor de onde pegou as informações que está a utilizar. Esse “aviso” dá credibilidade ao material.

Nas três reportagens que li, em nenhum momento foram usadas aspas. Isso quer dizer que não havia declarações. Também não encontrei os famosos “segundo”, “conforme” e “de acordo” que fazem parte do dia-a-dia dos jornalistas e do público que se informa.

Fontes só não aparecem em casos específicos, quando devem ser preservadas, mas não seria o caso de uma revista de empresa, não é?

Portanto, atenção!