Sujeito difícil

Novembro 3, 2009

Certa vez, ouvi um palestrante dizer que é preciso manter na empresa uma pessoa que executa a tarefa de maneira excelente, “mesmo que o sujeito seja difícil”. Está aí algo com o que não concordo. Para mim, funcionários “difíceis” trazem mais prejuízos do que benefícios.

De qualquer maneira, essa é uma decisão da empresa. No entanto, divido a seguinte tese: não basta ser o melhor profissional da área em que atua. É preciso se preocupar com valores também. Pessoas de mau caráter sempre quebram a cara no final.

Determinados “competentes” chegam a me dar náuseas.


História de superação?

Outubro 25, 2009

Na sexta-feira, o Programa do Jô recebeu Odete Vieira. Trata-se de uma mulher que se formou em Direito aos 84 anos. Quando o apresentador a chamou, pensei: “Que bom! Mais uma história de superação. Excelente para começar bem o final de semana”.

Lá pelas tantas, Odete disse que a velhice está na mente. Concordo. Ela ainda contou que ficava até de madrugada no bar com os colegas de faculdade. Achei surpreendente. Fiquei maravilhado. De repente, uma decepção. Diz ela: “Ah, Jô, eu colava nas provas”.

A afirmação foi feita de maneira tranquila, sem nenhum sinal de embaraço. É como se colar fosse um símbolo de juventude. Portanto, na cabeça da entrevistada, deveríamos aplaudi-la por ser “jovem”. Obrigado, dona Odete, mas esse exemplo nós não queremos.


Doutores em Incompetência Aplicada

Outubro 23, 2009

Não vou generalizar.  Afinal, estou ciente de que cada caso é um caso. No entanto, cabe a pergunta: onde estão os colegas dos graduados, mestres e doutores que se inscreveram para o concurso de gari na cidade do Rio de Janeiro? Sim, os colegas.

É preciso destacar que a formação é de extrema importância. No entanto, sozinha, ela não leva a lugar nenhum. Deve haver foco no trio “trabalho, estudo e dedicação”. Aposto que pessoas que estudaram junto com estas estão muito bem sucedidas.

Agora, faço outro questionamento: onde estava o cidadão aos 18 anos? Na balada? Só na balada? Aos 18 anos, eu já era repórter de um jornal. Caminhava, diariamente, 50 minutos para chegar ao meu trabalho. Não recebi nada nos primeiros meses. Pagava meu almoço.

Tudo bem que um concurso público traz estabilidade. Porém, tudo tem o seu limite. Repare no texto abaixo, retirado da Folha:

Aqueles que forem contratados trabalharão 44 horas por semana e receberão salário de R$ 486,10 mensais, tíquete alimentação de R$ 237,90, vale-transporte e plano de saúde. A remuneração poderá ser acrescida ainda de um adicional por insalubridade.

“O caráter de um homem é o seu destino” (Heráclito).


Copo meio sujo

Outubro 22, 2009

Não é fácil o relacionamento entre as pessoas. Quem não tiver isso em mente não vai conseguir ter sucesso no mercado de trabalho. Às vezes, é até melhor ignorar certa atitude do que combater de frente. Respirar fundo e manter o foco é importante.

Vou dividir uma experiência curiosa que ilustra o meu argumento. Uma vez, em uma empresa que trabalhei, um colega disse assim: “A partir de agora, não é para ninguém lavar o próprio copo de café. É que o pessoal lava errado e o copo fica sujo”.

A orientação era para que a moça da limpeza fizesse isso. Pois bem. Algumas poucas semanas depois, fomos tomar café. Esse colega estava junto. Terminado o intervalo, deixamos os copos na pia e voltamos. Ao que chega um e-mail dele: “Favor lavar os copos”.

O que eu faço com isso?


Bando de hipócritas

Setembro 21, 2009

A participação do apresentador André Marques no mais recente Domingão do Faustão, da Rede Globo, foi recheada de referências a sexo. Isso num domingo à tarde, quando a família inteira, inclusive as crianças, está reunida em frente à televisão, depois do almoço.

É muito revoltante! Depois dizem que a Classificação Indicativa do Ministério da Justiça pode ser comparada à censura da época da Ditadura… Como dizia PC Farias: “Bando de hipócritas!”.


Motivo de piada

Setembro 21, 2009

Os dias de chuva intensa em Araranguá me fizeram lembrar de algo que acho absurdo: virar ou fechar o guarda-chuva só porque se está embaixo de uma marquise. Muitas vezes, o trecho tem apenas 10 metros. E o cidadão fecha e abre o acessório 30 segundos depois.

Quem, em sã consciência, vai rir de uma pessoa com o guarda-chuva levantado em dia de chuva intensa? Faça-me um favor.

Tenho mais com o que me preocupar…


Resposta óbvia

Setembro 4, 2009

Precisava resolver um assunto referente ao financiamento do meu carro. Medida natural: ligar para o 0800. Resposta óbvia: “Este número não aceita chamada de celular”. Fui até um telefone público, já que não estava perto de um fixo.

Consegui ligar. Mas quem disse que isso é suficiente? Logo a atendente pediu um documento que eu não tinha em mãos naquele momento. Desliguei e fui em busca do maldito papel. De volta, a ligação estava ruim e não consegui entender nada.

Eu odeio burocracia.


Conclusões precipitadas

Setembro 3, 2009

Nada mais repugnante do que o vendedor desconfiar se o cliente tem dinheiro para comprar o produto sobre o qual perguntou. É um tiro no pé fazer conclusões precipitadas com base, por exemplo, no ramo de atuação ou no carro que a pessoa anda.

Dia desses, um rapaz perguntou quanto eu estava disposto a gastar para “não perder tempo com orçamento”. É preciso atender bem a todos sem distinção. Mesmo que o cidadão não compre naquele momento. Num futuro, poderá se tornar o melhor cliente…


O que há por trás da maquiagem?

Agosto 31, 2009

maquiagem

Uma história contada por um professor de Língua Inglesa quando eu era pequeno está impregnada na minha mente. Ele e a esposa visitaram uma escola dos Estados Unidos para falar sobre o Brasil. Eis que um dos alunos perguntou: “Vocês comem com garfos e facas?”.

Antes que um dos dois pudesse responder, a professora americana interrompeu e disparou: “Eles já são civilizados”. Quando ouvi isso, fiquei desesperado. Pensei: “Nossa, que imagem ruim temos diante dos americanos. Puxa, precisamos dar um jeito nisso”.

Hoje, tenho vergonha do pensamento que tive. É como se eu quisesse que os índios, por exemplo, não existissem para que nós pudéssemos nos enturmar com os americanos, que são os estudantes populares desta cruel escola chamada mundo. Quanta imaturidade!

O aluno que fez a pergunta, no começo dos anos 90, pensava que todos nós éramos índios. Se eu estivesse lá, responderia: “Nós comemos com garfos e facas. Porém, temos várias comunidades indígenas das quais nos orgulhamos muito. Eles comem diferente”.

Não existe cultura certa ou errada. Culturas são apenas diferentes. E precisamos respeitar. O que se vê, constantemente, é uma ridicularização de tudo o que possa fugir ao que a tela do cinema mostra. Estabeleceu-se um modo “correto” de viver e de pensar.

Ah, esse mundo de maquiagem, carros, cheques, bebidas… Os índios não precisam trabalhar 16 horas por dia para ter uma vida digna. Eles também não deixam o próximo morrer de fome. Portanto, nada como uma dose com gelo de mão na consciência.


O Jornalismo caiu?

Agosto 25, 2009

Quando soube que comecei a dar aula na Unisul, uma pessoa se virou para mim e perguntou: “Ué, mas o Jornalismo não caiu?”. Chocado com aquilo, respondi: “Não. O que caiu foi a exigência do diploma para exercer a profissão de jornalista”.

É claro que a intenção dela não foi perguntar exatamente isso. As palavras adequadas não foram encontradas. No entanto, elas ficaram na minha cabeça. Ao pensar melhor, cheguei à conclusão de que a minha resposta poderia ter sido diferente.

Eu diria que o objetivo do Supremo Tribunal Federal, talvez, fosse fazer, realmente, com que o Jornalismo caísse. Caísse de nível ao longo do tempo. Para manter o interesse de alguns setores…