Parque gráfico da RBS: contramão da história?

O Grupo RBS lançou no final de junho, em Porto Alegre, o Parque Gráfico Jayme Sirotsky, apelidado pela companhia de “fantástica fábrica de fazer jornal”. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a governadora Yeda Crusius e o prefeito José Fogaça prestigiaram.

Numa era em que o “digital” toma conta, não é um retrocesso lançar um empreendimento desta magnitude, que valoriza tanto o jornal impresso? Para que se possa responder a esta pergunta, torna-se imprescindível discutir algumas questões.

Por mais críticas que se possa fazer ao Grupo RBS, acredito que haja um consenso: é uma empresa sólida, com visão de futuro e estratégias bem definidas. Portanto, é difícil acreditar que cometeriam um erro de análise tão absurdo assim, apesar de ser possível.

A organização investe em TV digital e em portais da Internet. Recentemente, passou a transmitir a Rádio Gaúcha por FM. Isso foi feito porque, assim, é possível acessá-la pelo celular, por exemplo.

É preciso entender que, apesar de ser um país apaixonado pela rede, o Brasil está longe de ser completamente digital. Conheço muitos empresários milionários e políticos que não fazem a mínima ideia do que seja blog, Twitter, YouTube e muito menos Facebook.

É claro que eles deveriam ter se atualizado. Muitos deles, aliás, têm uma equipe que cuida desta área. Assim, não precisam enfrentar tanto modernismo. Até porque investir na Internet é extremamente importante. Em certos casos, é crucial.

No entanto, não se pode ignorar o fato de que nem todas as pessoas estão “conectadas”. É por isso que não concordei com o professor Luli Radfahrer. Ele disse, em palestra na Unisul de Tubarão, que não acredita mais na Publicidade comum, aquela de anúncios tradicionais.

Ora, eu sei o quanto é importante o marketing viral e as outras formas de divulgar uma marca na web. Porém, eu penso nos meus pais. Eles não têm costume de acessar a Internet, pelo menos por enquanto. Devem ser ignorados pelos anunciantes por isso? Claro que não…

Não tenho uma bola de cristal para dizer se o jornal impresso vai ou não morrer. Ao longo da história, porém, o que se viu é que uma mídia não acabou com a outra. E a Internet tem uma característica muito instigante: é agregadora.  Sou fã incondicional.

Como não sou e nem pretendo ser o dono da verdade, aguardo opiniões sobre o assunto. Obrigado pela visita!

Uma resposta para “Parque gráfico da RBS: contramão da história?”

  1. Eduardo Disse:

    Eu acho que isso foi até uma sacada da RBS para fortalecer os jornais deles (ZH e DC)… Não acho também que nenhuma mídia irá acabar com a outra, mas é obvio que a internet será a mais forte delas no futuro, pois não podemos negar hoje a TV ainda predomina.
    O Luli é muito revolucionário, ele pensa muito a frente do nosso tempo, por isso as vezes ele fala algumas coisas fora do normal! hahaha Mas tem coisas interessantes que ele fala.
    E uma coisa é fato, mídia para fortalecimento da marca e divulgação em massa para todas as classes sociais ainda é a TV. A internet ainda tem um público muito segmentado, no futuro quando os mais velhos já estiverem no mundo digital e a internet oferecer suporte decente (banda, browsers, sites, etc…) ai sim a internet será a principal mídia para atingir todos os públicos.

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