Texto da disciplina de Planejamento em Comunicação, do curso de Jornalismo da Unisul. O professor é o (colorado) Ronaldo Sant`Anna.
Certa vez, uma pequena fábrica de fósforos começou a ameaçar o domínio de uma gigante no setor. A grande empresa, diante disso, armou uma estratégia para acabar com o problema. Entrou em contato com o pequeno empresário e fez uma encomenda de fósforos. A idéia era que fosse uma espécie de serviço terceirizado.
O empreendedor aceitou e passou a produzir o produto e colocar a marca da outra companhia. Os pedidos aumentavam a cada dia. O empresário decidiu investir no negócio e adquiriu equipamentos caríssimos, a fim de agilizar e melhorar a produção.
Quando viu que a pequena empresa havia firmado vários compromissos para atender à demanda, a gigante simplesmente suspendeu as compras. De uma hora para outra. O empreendedor faliu e deixou de ser uma ameaça.
Essa história, contada por um professor de Biologia do Ensino Médio, serve de paralelo com a seguinte frase do livro O Príncipe, de Maquiavel: “… para manter-se uma república conquistada, o caminho mais aconselhado é destruí-la ou habitá-la pessoalmente”. Essa segunda alternativa poderia ser comprar a empresa menor, que ganhava um destaque indesejável. A gigante, no entanto, decidiu destruí-la.
Maquiavel aborda o planejamento do ponto de vista político. O livro dele traz como exemplos fatos históricos que sustentam as idéias que defende.
Uma frase sublime da obra é a seguinte: “Conhecendo-se com antecedência os males, ao que somente aos homens de prudência é concedido, rapidamente se curam; mas quando, tendo sido ignorados, foram deixados a aumento, a ponto de todos os conhecerem, não mais haverá corretivo aos males”.
Prudência. Isso é algo importantíssimo em qualquer área da vida. Não adianta usar a facilidade de poder passar um cheque com o prazo de 60 dias se você não fez um planejamento para pagar essa conta. Vai enfrentar problemas.
O livro A Arte da Guerra, de Sun Tzu, que aborda o planejamento do ponto de vista militar, traz idéias parecidas. Cada linha da obra serve como uma dica. É um manual completo de como se deve agir na área militar.
Assim como em O Príncipe, onde Maquiavel diz que o líder precisa ser temido, mas evitar ser odiado, com A Arte da Guerra é possível comparar o que está escrito com o que acontece no mundo atual. Um exemplo importante é o fato de ele dizer que os generais devem tratar bem os soldados, como humanos, só não a ponto de perder a autoridade.
Sun Tzu disse há 2,5 mil anos o que diversos autores dizem hoje. Na maioria dos livros sobre liderança, existe a mesma dica, sem tirar nem pôr. Isso é incrível.
Maquiavel diz quase a mesma coisa, mas o exemplo que dá é o de um príncipe. Diz ele que o príncipe deve manter o povo ao seu lado para que este dê a ele sustentação.
Outras táticas de Sun Tzu podem ser usadas atualmente. Conhecer o inimigo (concorrente) e a si mesmo é uma delas. Há também aquela que diz que é preciso conhecer os terrenos onde se vai guerrear. Existem diversos tipos e cada um deles necessita de uma estratégia especial.
No Jornalismo, por exemplo, é preciso fazer uma análise de como está o mercado antes de se abrir uma empresa. Quantas agências de assessoria de imprensa existem na região? Há demanda para uma nova empresa? Como é essa demanda em termos de qualidade e de quantidade? Todas essas perguntas precisam ser respondidas.
Um elemento fundamental, para Sun Tzu, é a surpresa. Dessa forma, é possível vencer o inimigo sem perder um soldado sequer. O autor defende muito essa idéia.
Atualmente, isso pode ser usado no lançamento de um novo produto, por exemplo. Surpreender os clientes e os concorrentes é algo extremamente vantajoso no mercado.
O que chama atenção nas obras é que, para os dois escritores, os fins justificam os meios. O importante, a qualquer custo, é atingir o objetivo e passar por cima de tudo e de todos. No mundo atual, no entanto, o pensamento deve (ou deveria) ser mais humano.
Em primeiro lugar, tem a questão da ética. Em segundo lugar, o respeito às leis (as duas, de certa forma, estão interligadas). Cumpridos esses requisitos, é possível avançar.
Em determinado momento de O Príncipe, Maquiavel diz que é necessário conhecer a arte da guerra. Não sei se, ali, o autor faz referência à obra de Sun Tzu, mas logo em seguida diz algo muito semelhante. Defende que é preciso conhecer o terreno no qual se travará a batalha. Caso contrário, não é aconselhável lutar.
Maquiavel demonstra, também, ser um profundo conhecedor do ser humano. O trecho abaixo revela isso.
“… os homens são em geral ingratos, volúveis, dissimulados, covardes e ambiciosos de dinheiro, e, enquanto lhes fizeres benefícios, estão todos contigo, oferecem-te sangue, bens, vida, filhos, como antes disse, desde que estejas longe de necessitares de tudo isto. Quando, porém, a necessidade se aproxima, volta-se para outra parte. E o príncipe, se apenas confiou inteiramente em palavras e não tomou outras precauções, está arruinado. Porque as amizades que se conseguem por interesse e não por nobreza ou por grandeza de caráter, são compradas, não se podendo contar com as mesmas no momento preciso!”.
Essa tendência do ser humano explica muitas das mazelas do mundo. Isso mostra, entre outras muitas coisas, que é preciso tomar cuidado na hora de se escolher um sócio, por exemplo.
Abril 4, 2008 às 1:28 pm
Muito bom, gostei!
;)
Agosto 5, 2008 às 9:49 pm
Ótimo!
valeu mesmo.
Agosto 5, 2008 às 10:09 pm
Obrigado, pessoal.
Agosto 13, 2009 às 1:55 pm
Sun tzu registra as estratégias para se vencer uma guerra, em sentido figurado , são ensinamentos preciosos para o nosso dia-a -dia pessoal, familiar e profissinal.
Agosto 13, 2009 às 1:59 pm
Tens razão, Swellen. Obrigado por participar!
Setembro 19, 2009 às 2:19 pm
Muito bom, o entendimento do livro é perfeito e principalmente na vida atual no nosso cotidiano.