Mudança brusca

Novembro 28, 2007

Eu não entendo quase nada sobre política econômica. Sei o que qualquer jornalista (ou aspirante, como eu) deve saber: o básico. Mesmo assim, peço licença para fazer um raciocínio sobre a prorrogação da CPMF, o chamado imposto do cheque.

O tributo nunca vai deixar de existir se, junto da prorrogação, não for elaborado também um plano sobre como, depois do cancelamento dessa cobrança, o Brasil vai manter os (poucos) investimentos que faz na área social.

Se a CPMF for mesmo prorrogada até 2011, como quer o Governo Federal, é preciso elaborar um projeto a longo prazo para que a mudança não seja tão brusca. Caso isso não ocorra, o problema será apenas empurrado com a barriga.

Alguém já deve ter pensado nisso… Não é possível que eu, em Araranguá, no Sul de Santa Catarina, seja o único raciocinar dessa maneira… Parece ser tão óbvio….

É necessário haver certeza de que o imposto vai acabar. Data e hora. Com o “rombo” anunciado, dá para se preparar. Nenhum administrador vai dizer: “Ah, R$ 40 bilhões a mais, R$ 40 bilhões a menos… Não faz diferença”.

Enquanto houver chance de prorrogar, nada será feito.


Tropa de Elite III

Novembro 25, 2007

Um alerta aos desavisados: filme é uma coisa; realidade, outra. Tropa de Elite encantou o País, mas começou a ser utilizado para outros fins.

Ontem, sábado, ouvi no rádio uma propaganda de cursinho preparatório para o Concurso Público da Polícia Militar. Música de fundo: Tropa de Elite.

É bom ressaltar que não deve ser nem um pouco fácil ser policial. Esse pessoal do Bope virou ídolo. Para entrar nessa vida, tem que ter vocação.

Apesar dos problemas mostrados, muita gente ficou com vontade de virar policial. E nem foi essa a intenção do filme…

Para quem já é policial, um recado: também não dá para sair matando todo mundo só porque no filme isso é algo banal (“Bota na conta do papa”).

Tem que ter critério.

Não sou nenhuma autoridade no assunto, mas digo isso porque saiu uma notícia de que, no Norte do País, uma viatura foi para uma operação com essa trilha sonora.

Isso vai dar m…


Lide

Novembro 25, 2007

Existem diversas questões polêmicas no Jornalismo. Uma delas, sem dúvida nenhuma, gira em torno da utilização do lide, que nada mais é do que responder às perguntas básicas do leitor no primeiro parágrafo de uma notícia.

Muita gente acha que isso amarra o jornalista, que tira a sua criatividade. Sou totalmente contra essa opinião. O lide tem sim uma função importantíssima.

No entanto, é preciso saber avaliar o momento em que ele é indispensável e quando um estilo diferente pode ser adotado. Cada caso é um caso.

Agora, tem uma coisa que ninguém pode discordar: jornalista que é jornalista tem que saber fazer um bom lide. Caso contrário, fica muito fácil criticar sua utilização.

O que não falta nesse mundo é gente esperta, meu amigo…


Vagabundo

Novembro 22, 2007

Deixei a desejar na atualização deste Palavra Cult nesta semana. Resolvi dar uma folga para as minhas mãos e para o meu cérebro. Ficar no computador o dia inteiro, no trabalho, e depois encarar mais algumas horas em frente à tela não é nada fácil.

Apesar disso, sinto-me um vagabundo. Não estava acostumado a voltar para a casa depois de um dia de trabalho. A faculdade é o meu destino natural.

No entanto, como tive que trancar neste semestre, tudo bem. O ano que vem vai ser tão puxado que essas pseudoférias podem até ter alguma serventia.

Quinta-feira, 22 de novembro. Estou na Unisul, em Tubarão, onde espero minha mulher terminar de fazer a prova. A ansiedade para vê-la é imensa. Por uma coincidência, ela está linda hoje. Digo coincidência porque das últimas mil vezes que eu a vi ela também estava.

E nas mil vezes anteriores também…

Bom, a intenção deste texto era apenas bater ponto aqui.

Um grande abraço!


Pobreza de conteúdo

Novembro 18, 2007

Faustão esteve recentemente no Rio Grande do Sul. Participou do Jornal do Almoço (RBS TV) e do Sala de Redação (Rádio Gaúcha). Acompanho o segundo programa citado sempre que posso. É maravilhoso. O assunto principal é o esporte (leia-se futebol), mas seus participantes conseguem tratar sobre qualquer tema relevante como ninguém.

O apresentador da Rede Globo foi palestrar em terras gaúchas. Ele foi repórter esportivo e é das antigas jornadas que conhece figuras como Lauro Quadros e Ruy Carlos Ostermann (autor de Felipão – A Alma do Penta).

Tive a oportunidade de ouvir a participação do apresentador na Rádio Gaúcha. Confesso que um pouco do preconceito que tinha (tenho?) com relação a ele se foi. Faustão é citado por mim diversas vezes para mostrar a pobreza de conteúdo da televisão brasileira, principalmente aos domingos.

Porém, tenho que admitir: só alguém competente permanece tanto tempo no ar, em horário importante, numa das maiores redes de televisão do mundo. Além disso, ele não parece ser muito censurado pela emissora. Isso mostra poder. Fala sobre concorrentes, faz críticas duras a determinados alvos…

As maiores críticas que se faz ao apresentador são:

Puxa-saquismo – Todo mundo “é o ‘maior’ da sua área no Brasil”. Ou um dos “maiores”.

Falta de educação – Não deixa as pessoas concluírem o raciocínio. Ele defendeu, certa vez, que é complicado permitir que os convidados falem à vontade quando se tem pouco tempo, mas se evitasse suas interrupções constantes talvez sobrasse tempo…

Pobreza de conteúdo – As atrações melhoraram um pouco nos últimos meses, com a implantação desses reality shows, mas o programa ficou insuportável numa determinada época. Era aquela dupla sertaneja, uma discussão sobre a sociedade, uns dois ou três artistas famosos e o Se Vira nos 30. Irritante, no mínimo.

É algo para se refletir. Bom início de semana a todos. Sucesso!


Tropa de Elite II

Novembro 15, 2007

Todo mundo quer ser um capitão Nascimento. Ele é um herói possível. Um herói que você, que lê este blog, pode ser. É por isso que o personagem interpretado com brilhantismo por Wagner Moura, no filme Tropa de Elite, faz tanto sucesso.

Todo mundo quer ser um capitão Nascimento. Ele é bom no que faz. Tem autoridade. Afinal, quem não lembra daqueles dizeres: “Não vai subir ninguém. Não vai subir ninguém. Fica todo mundo quietinho aí”.

Todo mundo quer ser um capitão Nascimento. Principalmente na sua profissão. Sem a parte do estresse, é claro. Porém, é aí que a questão complica. Junto do sucesso profissional, que quase todos querem ter, vem a responsabilidade.

Uns encaram, outros não…

Leia também - Pirataria / Tropa de Elite / Ética


Ressentimento

Novembro 13, 2007

Textos – principalmente os de opinião – precisam ser instigantes. O escritor deve tentar fazer com que as pessoas leiam o primeiro parágrafo e desejem ler o resto.

Essa é uma característica que identifico no que escreve – e diz – o jornalista Paulo Henrique Amorim, o melhor do Brasil, pelo menos dentre os que conheço.

Apesar de achar isso, discordo de várias de suas idéias. Ele é contra a TV Pública e a exigência do diploma para exercer o Jornalismo.

Parece ser mais cômodo criticar as escolas de Jornalismo do que explicar em casa o motivo de não ter o diploma. Talvez seja essa a razão do “ressentimento”.

Quanto à TV Pública, penso que ele não diria a mesma coisa se fosse convidado a presidir a emissora – no lugar de Tereza Cruvinel – ou para ser ministro da Secretaria de Comunicação Social – no lugar de Franklin Martins.

São apenas impressões…


Teoria do Jornalismo

Novembro 12, 2007

Peguei na biblioteca o livro Teoria do Jornalismo, de Felipe Pena. Ainda não comecei a ler. Preciso terminar primeiro o livro Superboss – O Gerente Bem-Sucedido, de David Freemantle. Porém, já faço um raciocínio sobre o assunto.

Tenho minhas dúvidas com relação ao grau de importância de se conhecer as várias teorias que tratam do Jornalismo. Penso que 99% dos profissionais, se indagados, não saberiam responder corretamente a perguntas relacionadas ao tema.

E isso, na minha modestíssima opinião, não é algo tão grave assim. O que os autores fizeram foi apenas colocar nomes nas situações do Jornalismo. Para exercer a profissão, não preciso saber o que é newsmaking ou gatekeeper.

Agora, de uma coisa não se pode discordar: quanto mais conhecimento, melhor. E é por isso que esta obra está aqui comigo. Espero que me proporcione uma bela leitura. Caso contrário, esse livro vai entrar pra estatística dos que eu peguei e não li.

Uma excelente semana a todos.


Escrever certo

Novembro 7, 2007

Uma boa tática para escrever certo, sobretudo quando o assunto é pontuação, é ler em voz alta (não literalmente alta) aquilo que foi escrito.

É necessário reparar nas pausas, no ritmo. Muitas vezes o escritor sabe o que quis dizer, mas transmitiu de uma forma que ninguém vai entender.

É  bom ler o que escreveu e se imaginar falando aquilo pra alguém. Uma vírgula fora de lugar pode dar outro sentido para a frase.

É isso. Obrigado pelo prestígio. Até a próxima!


Verdade

Novembro 5, 2007

Uma coisa é importante que os leigos saibam: no Jornalismo, não se fala a verdade! O que nós, jornalistas (ou aspirantes, como eu), fazemos é buscar – e transmitir – a melhor versão dela. Só Deus sabe a verdade completa.

Quem vê um acidente de um lado da rua pode dar uma versão e vice-versa. Uma foto, por exemplo, não é uma coisa, mas sim a representação desta coisa. Isso porque pode haver uma paisagem linda, mas logo ao lado lixo, sujeira. Coisas não mostradas na imagem.

Jornalistas têm que ter isso em mente. É fundamental. No futuro, serão cobrados do porquê noticiaram que a queda do avião foi às 14h10min se o correto seria 14h09min37s.

É duro…