Novembro 6, 2009
O rancoroso texto em que Arnaldo Jabor faz duras críticas à Internet mostra que ele escolhe, como muitos outros “intelectuais”, o culpado errado. Volto a dizer o que afirmo com frequência: o problema não é o meio em si, mas o que se faz dele.
Olha o que o sábio aborda nesta passagem: O que espanta é a velocidade da luz para a lentidão dos pensamentos, uma movimentação “em rede” para raciocínios lineares. A boa e velha burrice continua intocada, agora disfarçada pelo charme da rapidez.
Para Jabor, portanto, somos todos bestas. Essa afirmação conseguiu ser pior do que a comparação que o Estadão fez entre blogueiros e macacos. Quem esse cidadão – que não é nem cineasta, nem jornalista e nem comentarista – pensa que é?
Prefiro ficar com as frases que apontam contradição: “Claro que acho a revolução digital a coisa mais importante dos séculos”. “Sei que a internet democratiza, dando acesso a todos para se expressar”. É melhor voltar a fazer aquele teatrinho no Jornal da Globo…
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Tecnologia |
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Escrito por Khaled Salama
Novembro 6, 2009
O estudante de Jornalismo Leonardo Teixeira compartilhou comigo uma reportagem da Folha de S. Paulo sobre a “morte” do e-mail. O texto apresentou pesquisas que apontam uma diminuição no uso dessa ferramenta, principalmente em função das redes sociais.
O fato de jovens responderem que preferem usar redes sociais em vez de e-mail não quer dizer que isso será sempre assim. Até porque a segunda tecnologia é extremamente útil para tarefas de maior responsabilidade, como trabalho e faculdade, por exemplo.
Incrivelmente, durante a matéria, o autor lembra isso. No entanto, é claro, o destaque vai para a “morte”. Outro argumento intrigante é o de que as redes sociais vão matar o e-mail porque, cada vez mais, as pessoas estão conectadas o dia inteiro.
O que achei absurdo nisso é que os comunicadores instantâneos existem há mais de dez anos. Isso pode ter diminuído o uso do e-mail, mas com certeza não fez com que a ferramenta ficasse “moribunda”. Os meios podem conviver pacificamente, sem problema algum.
Lá no meio da reportagem, de maneira bem tímida, uma pesquisadora diz que acha “difícil que uma tecnologia possa morrer”. Até quando se fará “assassinatos” desse porte?
Repare nesta declaração:
Nas redes sociais, ninguém me manda corrente. É direto, mais rápido. Todo mundo é curioso. Chega um scrap, você responde. E e-mail nem sempre você abre na hora.
Para finalizar, eu pergunto: redes sociais não têm ‘corrente’?
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Tecnologia |
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Escrito por Khaled Salama
Novembro 6, 2009
Estou a ler a biografia do papa João Paulo II. O autor é o jornalista Bernard Lecomte. Não raras vezes o escritor usa termos como “mergulhou” e “devorou” para se referir a livros que o religioso leu. Karol Wojtyla era, acima de tudo, um apaixonado.
Amou a religião e os estudos. Foi aos pontos mais altos que se pode chegar no mundo acadêmico. É de se encantar, sem dúvida. Mesmo oriundo de uma Polônia devastada pela guerra, tratou de se dedicar em tudo o que fazia. Desta forma, colocou o nome na história.
O caminho? Os livros, claro. Sempre eles…
Divido com você esse interessante trecho:
Num comovente artigo, o arcebispo Wojtyla explicaria um dia que “percorrer assim rios e trilhas pelas montanhas, a pé ou de esqui no inverno” é “um repouso necessário para as pessoas que fazem muito esforço intelectual”.
E segue o então futuro papa:
“Através dessa comunhão com a natureza, não só a sensibilidade humana adquire um sentido particular, à vista das florestas cobertas de neve sobre as montanhas, ou então as profundezas de um lago, como também adquirimos uma certa forma física que é a condição que facilita esse contato íntimo com o ‘seio’ da natureza”.
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Amor, Cultura, Educação, Sucesso |
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Escrito por Khaled Salama
Novembro 3, 2009
Certa vez, ouvi um palestrante dizer que é preciso manter na empresa uma pessoa que executa a tarefa de maneira excelente, “mesmo que o sujeito seja difícil”. Está aí algo com o que não concordo. Para mim, funcionários “difíceis” trazem mais prejuízos do que benefícios.
De qualquer maneira, essa é uma decisão da empresa. No entanto, divido a seguinte tese: não basta ser o melhor profissional da área em que atua. É preciso se preocupar com valores também. Pessoas de mau caráter sempre quebram a cara no final.
Determinados “competentes” chegam a me dar náuseas.
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Absurdos, Mundo corporativo, Sucesso |
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Escrito por Khaled Salama
Novembro 2, 2009
Assisti a uns quatro filmes neste feriadão. Entre eles, estão “Júlio César” (1953, com Marlon Brando, adaptado de uma peça de Shakespeare) e “Quando Nietzsche chorou” (este mais recente, originado de um best-seller com mesmo nome).
Em primeiro lugar, quero destacar uma fala de Pórcia, no primeiro filme citado. Veja o que disse ela a Bruto, em meio a uma conspiração para matar Júlio César:
Este humor não deixou que comesse, que conversasse ou dormisse. E pode mudar tanto a sua forma e predominar sobre seu espírito que nem eu vou reconhecê-lo, Bruto. Caro esposo, faça-me conhecedora da causa desta aflição.
Por fim, divido uma fala de Nietzsche, no segundo longa:
Tento dizer em dez frases o que outros dizem no livro inteiro.
Não fiz comentários porque os trechos falam por si.
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Cultura |
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Escrito por Khaled Salama
Outubro 28, 2009
“Vamos fazer o nosso com calma, com tranquilidade”. Essa frase foi dita pelo Capitão Nascimento no filme Tropa de Elite. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) estava prestes a realizar uma operação de alto risco e o papel do líder é importante neste momento.
Bom, o que quero dizer é que não é preciso estar na Polícia para correr riscos. Quem quer ser “alguém na vida” assume funções de responsabilidade e, desta forma, se arrisca. Fica sujeito a opiniões divergentes, a críticas, a mal-entendidos e por aí vai.
Nestas horas, é importante ter em mente que a vida é feita de desafios. Esse é o preço que se paga por não querer ser apenas um coadjuvante no mundo. É interessante ressaltar, ainda, que é impossível agradar a todos. Portanto, por que se martirizar?
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Mundo corporativo, Sucesso |
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Escrito por Khaled Salama
Outubro 28, 2009
Dia desses, estava em Criciúma e fui até uma Lotérica. A moça reparou que eu carregava um livro e perguntou, com os olhos cheios de brilho, o que eu estava a ler. Respondi: “Às margens do Sena, de Reali Jr”. Diz ela: “Esse eu não li ainda. É bom?”.
O que está por trás desta conversa?
Ora, ela quis mostrar que também gosta de ler. Fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Por um lado, é muito bom encontrar alguém que tenha este hábito. Por outro, até quando isso vai continuar a ser algo tão raro, a ponto de gerar uma admiração especial?
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Cultura, Educação, Sucesso |
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Escrito por Khaled Salama
Outubro 25, 2009
Acabo de terminar de ler o livro Às margens do Sena, do correspondente da Rádio Jovem Pan em Paris, Reali Júnior. Eu recomendo. É excelente. Divido um trecho com você:
Veja, por exemplo, como se comportou a mídia no Brasil no caso da crise de corrupção do Partido dos Trabalhadores. Jornais, emissoras de rádio e televisão competiram para ver quem dava mais notícias, às vezes fornecendo informações de fontes sem provas sobre esse ou aquele caso de corrupção. Naquele contexto de acirradas disputas, muitos repórteres queimaram fontes pelo caminho, e não precisavam!
Muitas vezes, poderiam ter dado o mesmo tipo de informação e, ao mesmo tempo, ter preservado a fonte. E, repito, essa fonte, preciosa, poderia estar passando informações para o repórter até hoje, ajudando-o a chegar à informação verdadeira, muitas vezes escamoteada.
Concordo plenamente!
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Comunicação |
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Escrito por Khaled Salama
Outubro 25, 2009
Na sexta-feira, o Programa do Jô recebeu Odete Vieira. Trata-se de uma mulher que se formou em Direito aos 84 anos. Quando o apresentador a chamou, pensei: “Que bom! Mais uma história de superação. Excelente para começar bem o final de semana”.
Lá pelas tantas, Odete disse que a velhice está na mente. Concordo. Ela ainda contou que ficava até de madrugada no bar com os colegas de faculdade. Achei surpreendente. Fiquei maravilhado. De repente, uma decepção. Diz ela: “Ah, Jô, eu colava nas provas”.
A afirmação foi feita de maneira tranquila, sem nenhum sinal de embaraço. É como se colar fosse um símbolo de juventude. Portanto, na cabeça da entrevistada, deveríamos aplaudi-la por ser “jovem”. Obrigado, dona Odete, mas esse exemplo nós não queremos.
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Absurdos, Educação, Sucesso |
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Escrito por Khaled Salama
Outubro 23, 2009
Não vou generalizar. Afinal, estou ciente de que cada caso é um caso. No entanto, cabe a pergunta: onde estão os colegas dos graduados, mestres e doutores que se inscreveram para o concurso de gari na cidade do Rio de Janeiro? Sim, os colegas.
É preciso destacar que a formação é de extrema importância. No entanto, sozinha, ela não leva a lugar nenhum. Deve haver foco no trio “trabalho, estudo e dedicação”. Aposto que pessoas que estudaram junto com estas estão muito bem sucedidas.
Agora, faço outro questionamento: onde estava o cidadão aos 18 anos? Na balada? Só na balada? Aos 18 anos, eu já era repórter de um jornal. Caminhava, diariamente, 50 minutos para chegar ao meu trabalho. Não recebi nada nos primeiros meses. Pagava meu almoço.
Tudo bem que um concurso público traz estabilidade. Porém, tudo tem o seu limite. Repare no texto abaixo, retirado da Folha:
Aqueles que forem contratados trabalharão 44 horas por semana e receberão salário de R$ 486,10 mensais, tíquete alimentação de R$ 237,90, vale-transporte e plano de saúde. A remuneração poderá ser acrescida ainda de um adicional por insalubridade.
“O caráter de um homem é o seu destino” (Heráclito).
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Absurdos, Sucesso |
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Escrito por Khaled Salama